Como nosso cérebro aprende: entenda como funciona o modo difuso e o modo focado de pensamento

Você já percebeu que consegue planejar muitas coisas diferentes enquanto toma banho? Ou então resolver problemas complexos da sua vida depois de uma longa caminhada?

O nosso cérebro é capaz de realizar operações complexas como dirigir, escrever, cantar e dançar, etc. sem que percebamos.

É muito importante entender os princípios que regem o funcionamento do nosso cérebro, assim conseguimos tirar melhor proveito de tudo o que essa máquina complexa é capaz de fazer.

A neurociência está muito envolvida em entender como o nosso cérebro aprende, como ele pensa, como ele funciona.

Em uma de suas descobertas, os neurocientistas chegaram à conclusão de que nosso cérebro pensa de duas formas: o modo focado e o modo difuso.

Ilustração de um cérebro malhando
Neste artigo você vai descobrir como o cérebro aprende.

Neste artigo eu vou explicar para você um pouco sobre esses modos e como você pode usar esse conhecimento para aprender e pensar melhor.

Poucos estudantes sabem da importância de conhecer o seu cérebro para aprender melhor.

Além de evitar erros que dificultam o aprendizado, o conhecimento do cérebro ajuda a utilizar melhor as técnicas para aprender com mais facilidade.

Nas palavras do psicólogo e estudioso Tony Buzan:

“Você aproveita a sua mente ao máximo estudando, em primeiro lugar, o que ela é.”

Conheça seu cérebro

O cérebro humano é um dos melhores e mais potentes processadores do mundo.

Ele é capaz de processar as informações recebidas, analisá-las com base em toda a sua vida de aprendizado e apresentá-las para você em meio segundo.

Nem o melhor computador do mundo é capaz de processar e conectar mais informações em tão pouco tempo.

De acordo com Buzan, as maiores funções do nosso cérebro são:

  • Recepção: o cérebro recebe as informações por todos os nossos sentidos;
  • Armazenamento: ele retém e armazena as informações para conseguir acessá-las quando necessário;
  • Análise: o cérebro analisa os padrões e organiza as informações de modo que façam sentido para você;
  • Saída: seu cérebro libera as informações, seja na forma de pensamento, fala, desenho, movimento, sensação ou qualquer outra forma de criatividade.

Perceba como ele é dinâmico e quanta capacidade ele possui. Enquanto você faz a leitura deste artigo, por exemplo, seu cérebro já está fazendo as conexões necessárias com outras informações que você já recebeu anteriormente.

Além disso, ele também consegue regular o funcionamento do seu corpo inteiro, sua pressão, corrente sanguínea, temperatura, etc.

E ao mesmo tempo ele consegue estar atento ao seu ambiente, à luz, temperatura, e aos perigos que você nem sabe que podem estar à sua volta.

O cérebro é dividido em dois hemisférios distintos. Cada um deles contém suas particularidades e é importante saber quais são:

  • O hemisfério esquerdo: responsável pelo raciocínio lógico, fala, matemática, linhas, etc. é a “parte acadêmica”.
  • O hemisfério direito:  responsável pelas artes, pelo gosto a músicas, criatividade, etc. é a “parte artística”.

Ambas as partes são conectadas por uma parte chamada corpo caloso, um sistema de transmissão químico que envia milhares de informações rapidamente entre os dois hemisférios.

Quanto melhor e mais forte for essa conexão, melhor será sua memória e capacidade de raciocínio.

As duas partes estão trabalhando o tempo todo, para todas as funções. O que faz a diferenciação entre os hemisférios é uma maior ou menor atividade em um dos lados, a depender da tarefa que será cumprida.

Em um estudo recente o Dr. Jeff Anderson pesquisou a respeito dos hemisférios do cérebro e concluiu:

“É absolutamente verdade que algumas funções cerebrais ocorrem em um ou outro lado do cérebro. Idioma tende a ser do lado esquerdo, uma atenção mais à direita. Mas as pessoas não tendem a ter uma rede cerebral esquerda ou direita mais forte. Ele parece ser determinado mais por ligação de conexão.”

O cérebro é capaz de se transformar

No passado, os cientistas acreditavam que somente os cérebros das crianças eram capazes de se modificar. Mas pesquisadores atuais descobriram que o cérebro se adapta por toda a vida, criando novas células de acordo com sua experiência e aprendizado.

Neuroplasticidade é um termo utilizado para a capacidade do cérebro de se transformar.

Existem dois tipos de neuroplasticidade:

  • Funcional: capacidade do cérebro de transferir funções de áreas danificadas para outras áreas do cérebro. No livro "O cérebro que se transforma" o psiquiatra Norman Doidge dá uma informação interessante sobre essa capacidade: “As funções das áreas do cérebro mortas em um derrame se transferem para regiões saudáveis”.
  • Estrutural: capacidade de alterar sua estrutura física como resultado de aprendizagem. Os neurocientistas Gaser e Schlaug descobriram que o volume de massa cinzenta na área cerebral de músicos profissionais era maior do que a de não músicos ou músicos amadores. Esse aumento ocorreu nas áreas do cérebro responsáveis pela parte motora.

Ou seja, quanto mais você aprende, mais você desenvolve o cérebro.

É como praticar atividade física. No começo você sofre um pouco para conseguir aguentar os exercícios, mas quanto mais você pratica, mais fácil você consegue executá-los.

Além disso, ao aumentar a área do cérebro durante seu aprendizado, a conexão neural que ele é capaz de fazer aumenta também.

O Pinball e os modos de pensar: entenda o que são os modos difuso e focado

Especialistas descobriram que nosso cérebro pensa de duas formas principais: o focado e o difuso.

O modo focado é quando você está altamente concentrado em uma tarefa, assunto, questão ou problema. Você já possui familiaridade com os caminhos para resolver o problema e precisa de um tempo para encontrar o padrão certo que já está na sua mente.

O modo difuso é uma forma mais relaxada de pensar e encarar os problemas, está relacionado a um modo de descanso do nosso corpo. Porém, ainda não temos tanta familiaridade com esse modo.

Nosso cérebro está criando padrões o tempo inteiro. Quanto mais você trabalhar em cima de determinado padrão, mais forte e cristalizado ele se torna. Para a maioria dos desafios que enfrentamos no nosso dia a dia, esses padrões funcionam.

Mas e quando nos deparamos com problemas diferentes? Quando um novo conceito aparece?

Você não sabe como pensar sobre esse novo problema, você não sabe nem que tipo de problema é ainda. Acontece quando você sente um cheiro desconhecido ou escuta um som que nunca ouviu antes.

Para esses novos conceitos que precisamos criar é que existe o modo difuso.

No formato difuso você pode olhar para o problema de forma ampla.

Imagine o jogo de pinball. Os pinos formam um padrão que você já conhece, mas eles atrapalham a circulação da bolinha para novas áreas.

Essa é uma analogia para como funciona o seu pensamento no modo difuso. Ele fica como a bolinha batendo de um lado para o outro, à procura de “novos pinos”. A procura de novas sinapses.

Nesse modo você não consegue se concentrar o suficiente para terminar uma tarefa ou compreender os detalhes do problema, mas você consegue ampliar sua mente para pensar de novas formas, assim novas conexões neurais são feitas.

O modo difuso leva sua mente a lugares novos e apresenta novos conceitos. Ela permite que você, ao menos, chegue ao ponto inicial do caminho certo para solucionar seu novo desafio.

Jogo de pinball dentro de cérebros para representar os pensamentos focado e difuso
À esquerda temos o modo focado e à direita o difuso.

Como usar o modo focado de pensar?

O modo focado é o que você está acostumado a usar para aprender ou compreender as coisas.

Ocorre quando você se concentra em um assunto, quando sua mente fica atenta ao que está na sua frente.

É o modo certo para resolver problemas já conhecidos, tarefas mecânicas que você já está familiarizado ou então problemas que exijam um conhecimento mental que já está cimentado em você.

Porém, esse modo atrapalha quando você precisa aprender algo novo, já que ele bloqueia pensamentos diferentes do padrão.

Como o modo difuso de pensar funciona?

O modo difuso não é familiar e muitos não sabem como usá-lo para aprender algo novo.

É um modo relaxado, relacionado a uma gama de estados de repouso mental.

Permite fazer conexões de forma inconsciente em seu cérebro e acorda conceitos novos e abstratos de diferentes ângulos, percebe o todo de novas formas, identifica novos padrões.

Para algumas pessoas alternar entre o modo focado e modo difuso é natural. Elas se distraem por algum tempo, olham pela janela, tiram um cochilo, se alongam.

Também é possível acessar os modos quando você faz atividades que usam funções cerebrais diferentes.

Para acessar o modo difuso, sua mente precisa estar relaxada e livre, assim você consegue descobrir novos caminhos mentais e depois pode direcionar sua mente para o modo focado.

A mudança entre os dois modos ajuda a aprender e resolver problemas de forma eficaz.

Você precisa exercitar essa capacidade como se exercita um músculo, através da repetição.

Agora, não é uma tarefa tão simples assim trocar de modo consciente. Aqui estão alguns detalhes que você precisa saber:

  • Exercitar essa troca cria novos caminhos neurais e novas formas de pensar;
  • Você não consegue estar nos dois modos ao mesmo tempo, de forma consciente;
  • Para treinar você precisa mudar de um modo para outro várias vezes de forma seguida e controlada;
  • Transitar entre os modos ajuda a escapar de bloqueios mentais e permite que seu cérebro volte ao problema com perspectivas diferentes;
  • Há um ponto do modo focado em que você fica “preso”, chega ao fim do seu conhecimento e compreensão sobre o assunto. Quando chegar nesse ponto, é a hora de trocar para o modo difuso.

Você pode aumentar significativamente sua capacidade de resolver problemas ao conectar informações e conceitos existentes e novos na sua mente.

Como ativar deliberadamente o estado difuso

Existem várias formas de ativar o modo difuso intencionalmente, você pode descobrir qual é a técnica mais eficaz para você, ou mesmo mesclar mais de uma forma.

Caminhar é uma das formas mais populares de relaxar a mente. Muitos inventores e inovadores adotam essa técnica. Se você quer deixar sua mente vagar, saia andando por algum lugar que goste, um lago, parque, uma rua movimentada com muitos outdoors e vitrines.

Fazer pausas é outra forma muito eficaz. Se você está concentrado em um projeto por tempo demais, sua mente pode estar dando voltas e você pode perder algum insight importante. Por esse motivo é importante pausar seus pensamentos um pouco.

Quando você chegar em um ponto e sentir que não consegue progredir, pode ser o sinal de que sua mente precisa descansar e você pode usar esse tempo para tomar um café, escutar música, conversar com alguém sobre algo que não esteja relacionado ao seu problema.

Meditar pode ser uma ótima opção. Escolha uma posição confortável, relaxe seu corpo e esqueça o que você precisa fazer. Você pode usar um temporizador no celular se estiver com medo de perder muito tempo.

O objetivo da meditação é estar ciente dos pensamentos, mas não focar em nenhum deles, sem selecionar, julgar ou evoluir qualquer um deles. É uma prática de ser um observador e não um controlador dos seus pensamentos.

Outras formas de acessar o modo difuso:

  • Academia
  • Natação
  • Dança
  • Dormir
  • Leitura
  • Filmes ou séries

Dormir para acessar o modo difuso

O modo difuso de pensar foi utilizado por vários dos mais renomados e famosos inventores. Pessoas “fora da curva” têm o pensamento mais criativo e conseguem descobrir caminhos diferentes para resolver problemas.

Thomas Edison, um dos mais famosos inventores e empresários dos Estados Unidos, o nome por trás da lâmpada elétrica, usava o pensamento difuso para aguçar sua criatividade.

A técnica que ele utilizava era a da soneca. Ele usava um despertador inusitado: um rolamento de metal.

Quando ele dormia profundamente, o rolamento escapava de sua mão e caia no chão, assim ele acordava e aproveitava os pensamentos difusos do despertar. Ele anotava todos os fragmentos de ideias que surgiam na sua mente.

Salvador Dalí foi outro grande nome que utilizava o sono para atingir o modo difuso de pensamento.

A diferença é que ele utilizava chaves para acordar, e dormia de frente para suas pinturas, assim quando acordava utilizava os pensamentos errantes do modo difuso para criar suas obras surrealistas.

O sono talvez seja o modo mais eficaz e prático de atingir o modo difuso de pensar quando você precisa criar, melhorar ou se desligar de algo.

O modo difuso funciona como uma parada para restabelecer conexões e energias.

Dormir pensando no assunto dá ao cérebro tempo para resolver os problemas e tensões entre os modos focado e difuso, o que ocorre muito quando você está no processo de aprender novos conceitos e técnicas.

Como preparar a mente para o aprendizado?

Você pode usar os modos focado e difuso para estudar melhor.

Siga os três passos e verá como seu foco ficará melhor. Você precisa treinar a troca entre os modos para que funcione.

Primeiro você deve olhar o que precisa estudar por uma visão panorâmica: olhe a sequência de capítulos, os títulos, imagens, resumos, leia as questões. Faça isso sem focar em nada, como se você estivesse meditando.

Depois dê uma pausa e deixe sua mente vagar. Nesse momento você estará no modo difuso e seu cérebro começará a criar novos caminhos e conexões, de forma livre. Dessa forma você criará “ganchos mentais” para pendurar seus pensamentos posteriormente.

Por último, volte ao início e foque sua atenção para cada item que precisa estudar. Não esqueça de fazer as pausas depois de certo tempo.

A técnica Pomodoro pode te ajudar muito. Ela evita que você procrastine quando pausar, pois sem controle você pode acabar perdendo muito tempo.

Utilize o método Pomodoro dessa forma: 25 a 30 minutos de concentração (modo focado) e depois 5 a 10 minutos para relaxar (modo difuso). Use a função de despertador ou temporizador do seu celular ou computador.

Agora que você já sabe como funciona os modos de pensamento focado e difuso e entendeu que seu cérebro é capaz de fazer conexões e se modificar ao longo de toda a sua vida, pode começar a aprender!

Nunca é tarde para abrir um novo caminho, fazer uma nova conexão na sua mente.

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