Entenda o que são os Nativos Digitais e descubra a maior contradição da nova Era

Nativos digitais são todas as pessoas nascidas após 1980, as quais desde o nascimento tiveram contato direto com as tecnologias digitais (videogames, celular, MP3, internet etc.). Analfabetismo digital é a dificuldade (ou incapacidade) de utilizar os recursos digitais de maneira produtiva e eficiente.

Menino negro segurando um tablet e com cara feliz, demonstrando ser um nativo digital
Os Nativos Digitais têm acesso direto à tecnologia desde a infância (Crédito imagem: Freepik)

Nesta nova Era, há um paradoxo preocupante: o acesso à informação tornou-se universal, mas a capacidade de compreensão dessas informações não.

O analfabetismo digital é um problema que precisa ser combatido, tal como o analfabetismo funcional, para que a sociedade consiga acompanhar a evolução tecnológica.

“O perigo do passado era que os homens se tornassem escravos. O perigo do futuro é que os homens se tornem autómatos.” — Erich Fromm

No artigo de hoje, você vai descobrir:

O que são os Nativos Digitais
Nativos Digitais: características
O que é Analfabetismo Digital
Por que você deve se preocupar com isso

O que são os Nativos Digitais

Se você já se deparou com esse termo, deve ter se questionado “o que significa nativos digitais?”. Embora o nome seja autoexplicativo, vale a pena entender melhor o seu significado e contexto.

O termo nativos digitais foi utilizado pela primeira vez no ano de 2001 pelo especialista em educação Marc Prensky, para se referir a todos os nascidos após 1980, cujo desenvolvimento biológico e social se deu em contato direto com a tecnologia.

Pode-se dizer, então, que um nativo digital é aquele indivíduo que nasceu e cresceu com as tecnologias digitais presentes em sua vivência.

Alguns especialistas utilizam o termo para indicar as pessoas que cresceram com a tecnologia do século XXI, outros especificamente para os nascidos a partir da década de 1980 (que ficou conhecida como Era da Informação).

Apesar de se observar algumas pequenas contradições na utilização da expressão nativos digitais, o consenso é que se refere às pessoas nascidas numa época em que, o contato com a tecnologia, já se fazia presente no dia a dia de todas as pessoas, desde o momento do seu nascimento.

Lembro-me de uma charge que vi certa vez, mas que infelizmente não consegui localizar para compartilhar aqui. Ainda assim, vou descrevê-la, porque ela traduz muito bem a ideia do que são os nativos digitais.

Na charge havia uma criança deitada no chão, fazendo sua tarefa de casa. Em uma mão, via-se o lápis de escrever, apoiado sobre o caderno e na outra um teclado de computador, o qual a criança utilizava para consultar as letras e formar as palavras.

A interpretação que se fazia dessa charge era que a criança havia sido alfabetizada no computador, pois sabia escrever utilizando um teclado e precisava dele para fazer sua lição, vez que não sabia escrever de outra forma.

Pode parecer chocante essa ideia, mas ela é real. Crianças aprendem a escrever em celulares e computadores, depois na sala de aula. Isso é um fato e com certeza inúmeros exemplos iguais a este vieram à sua mente.

Agora que você sabe o que significa nativos digitais, conheça suas características.

Nativos Digitais: características

A geração de nativos digitais, nasceu em um mundo facilitado, globalizado, cujas barreiras de acesso à informação foram completamente eliminadas e o conhecimento tornou-se acessível para todas as pessoas (ou, pelo menos, quase todas — como você descobrirá adiante).

Para você ter uma ideia, o Brasil tem 440 milhões de dispositivos digitais (computador, notebook, tablet e smartphone) em uso, ou seja, são dois por habitante, de acordo com a 32ª edição da Pesquisa Anual do FGVcia sobre o Mercado Brasileiro de TI e Uso nas Empresas.

Essa é a única realidade que os nativos digitais conhecem: um mundo conectado, com acesso à internet na palma da mão de praticamente todas as pessoas.

Logo, as características dessa geração não poderiam ser outras. Confira:

1. Pesquisam sobre tudo

A facilidade para obter e selecionar informações é fator marcante dessa nova Era. Basta um clique para que todas as informações disponíveis na rede mundial de internet estejam diante dos nossos olhos.

Autodidatas por natureza, o contato regular com dispositivos tecnológicos permite aos nativos digitais uma facilidade muito grande de encontrar as informações de que precisam em meio a um grande volume de dados e aprender online.

Quando surge uma dúvida sobre qualquer coisa, em menos de um minuto ela pode ser resolvida. Quando querem comprar ou fazer algo, antes, pesquisam na internet sobre aquilo (não tomam nenhuma decisão às cegas).

Caso não entendam um conceito apresentado em uma conversa, sala de aula ou outro contexto, pesquisam no próprio smartphone e, a depender da curiosidade, conseguem até ampliar o entendimento da questão.

2. Comunicam-se por mensagens instantâneas de texto ou áudio

Se, algum dia, a possibilidade de se comunicar via ligação foi uma grande e louvável inovação, comunicar-se dessa forma, para essa geração, é extremamente antiquado. Eles preferem a comunicação por mensagem instantânea e abominam ligações.

Ninguém liga mais hoje em dia, salvo raras exceções. Até mesmo as empresas estão se vendo obrigadas a adaptar seus serviços de atendimento ao cliente (SAC) para esse novo modelo de comunicação (chats online, WhatsApp e outros canais).

A preferência por essa modalidade de comunicação se dá especialmente por permitir conversar com várias pessoas ao mesmo tempo, resolver pendências, ter momentos de distração e até mesmo trabalhar, já que muitas equipes corporativas inserem essas ferramentas em sua rotina a fim de agilizar os processos.

Isso atende, também, a uma outra característica dos nativos digitais: a realização de mais de uma tarefa ao mesmo tempo.

3. São multitarefas

Não que essa seja uma característica positiva, mas é fato que a geração atual tem o hábito (bom ou ruim, a depender da sua opinião) de realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo.

Enquanto assistem à videoaula, também respondem os amigos e agendam uma consulta. Ouvem podcast enquanto limpam a casa e traçam o cronograma da semana. Assistem à TV, conversam nos grupos do WhatsApp e pesquisam uma receita para o jantar: tudo ao mesmo tempo.

É mais do que comum ver nativos digitais definindo fazer uma coisa só como “perda de tempo” ou “improdutividade”. Esse tópico daria pano pra manga, mas como não é o assunto desse artigo, vou deixar para o momento oportuno.

4. Têm dificuldade de concentração

Estudos demonstram que viver sob constante estímulo pode prejudicar a capacidade de se concentrar. Com a realização de várias tarefas ao mesmo tempo, como citei no tópico anterior, manter-se concentrado por mais tempo tende a ser um desafio e tanto.

Não à toa, raramente os nativos digitais leem além da manchete das notícias. Estão sempre com pressa e perdem o foco muito rápido.

Convenhamos: é muita informação para absorver, não dá para prestar atenção em tudo a que somos expostos…

5. Possuem consciência e senso de responsabilidade social

A conexão naturalizou as diferenças. O contato com diferentes culturas, religiões e ideologias faz com que os nativos digitais desenvolvam sua consciência social.

Eles são estimulados diariamente nas redes sociais por hashtags, notícias, memes e discussões.

Dessa forma, desenvolvem a empatia e entendem a importância de dar voz a grupos de minorias, o que não era tão relevante ou simples para gerações anteriores que não tinham tanto contato com essas diferenças.

O espaço digital permite o encontro de maior diversidade de ideias e opiniões. E, por isso, os nativos digitais possuem, desde cedo, um senso mais desenvolvido de responsabilidade social. Afinal, não conhecem um mundo onde as diferenças não o componham.

6. Valorizam a colaboração e cooperação

Os nativos digitais estão acostumados a se organizarem em tribos. Sabem que, através da cooperação é possível alcançar melhores resultados e tornar a vida de todos melhor e mais fácil.

Por isso, interagem em fóruns online, avaliam produtos a fim de ajudar uns aos outros nas decisões de compra, compartilham conhecimentos em Blogs e por aí vai. A lista de colaborações e cooperações que podemos observar no meio digital é enorme.

Com certeza existem ainda outras características comuns aos nativos digitais. As citadas aqui são meramente exemplificativas. Entenda, a seguir, o que é analfabetismo digital e por que é importante que você o conheça.

O que é Analfabetismo Digital

Nossa sociedade está vendo nascer um novo modelo de analfabetismo: o digital. Em outro artigo, já falamos aqui sobre o analfabetismo funcional na Era Digital. A ideia desse texto não é muito diferente.

Quando falamos em analfabetismo digital, estamos, de certo modo, falando também do analfabetismo funcional. Isso porque ele se difere do analfabetismo, que é o não saber ler e escrever.

Os analfabetos funcionais até sabem ler e escrever. Todavia, possuem dificuldade de decifrar as entrelinhas de um texto, seu contexto, suas nuances e jogos de palavras. Sabem ler mecanicamente, mas não são capazes (ou têm dificuldade) em interpretá-los.

O mesmo acontece com os analfabetos digitais. Eles sabem utilizar a internet, estão nas redes sociais, comentam e interagem online. Contudo, não são capazes de compreender de fato o que está sendo dito ali, nem conseguem expressar suas ideias de maneira assertiva.

Pesquisas indicam que 90% das pessoas de 15 a 24 anos têm acesso a internet e ela é utilizada por 69% dos analfabetos funcionais nessa faixa etária e por 93% dos que possuem apenas conhecimentos elementares (os que conseguem selecionar informações em textos de extensão média e resolver problemas de matemática envolvendo operações básicas).

Se, por um lado, essa facilidade no acesso às informações é bom para a democratização do conhecimento, por outro, pode ser um problema na disseminação de desinformação, a exemplo das fake news.

E como ficam os nativos digitais nessa história?

Engana-se quem acredita que, pelo fato dessa geração ter contato com tecnologias e internet desde sempre, são automaticamente habilitados para compreender, distinguir e usar de modo eficiente o conhecimento disponível na internet.

Na realidade, os dados das pesquisas indicam o oposto. Os nativos digitais são, em grande parte, incapazes de compreender nuances ou ambiguidades em textos online, localizar materiais confiáveis em buscas de internet ou em conteúdo de e-mails e redes sociais, avaliar a credibilidade de fontes de informação ou mesmo distinguir fatos de opiniões.

As conclusões foram apresentadas pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com base no relatório Leitores do Século 21 - Desenvolvendo Habilidades de Alfabetização em um Mundo Digital.

No Brasil, apenas um terço (33%) dos estudantes foi capaz de distinguir fatos de opiniões em uma das perguntas aplicadas no Pisa, enquanto a média dos países testados era de 47%.

Somente metade dos estudantes em países da OCDE, analisados no estudo, disseram ser ensinados na escola para reconhecer se a informação que estão lendo é enviesada, e 40% dos alunos nesses países foram incapazes de reconhecer os perigos de se clicar em links de e-mails de phishing, por exemplo.

É o que alerta Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE:

"Ter nascido na era digital e ser um nativo digital não significa que você vai ter habilidades digitais para usar a tecnologia de modo eficaz".

Isso implica na constatação de que, embora sejam os nativos digitais acostumados à conexão e ao acesso de informações de maneira ilimitada, eles não são, necessariamente, digitalmente alfabetizados.

Assim como o analfabetismo funcional é um problema para a sociedade, o digital também o é. Entenda o porquê no próximo tópico.

Por que você deve se preocupar com isso

Em um passado não muito distante, as informações com as quais se tinha contato eram oriundas de fontes pré-curadas, como as enciclopédias, livros e revistas (hoje reduzidos a objetos decorativos).

Atualmente, temos acesso ilimitado à informação. No entanto, o custo que essa democratização nos impôs é a falta de curadoria dessas informações.

Por isso, temos que aprender a distinguir o que é relevante entre milhares de resultados de uma busca no Google.

Precisamos ser capazes de construir o conhecimento e validá-lo, sendo irresponsabilidade de nossa parte acreditarmos em tudo o que lemos e, pior ainda, espalhar informações inverídicas.

Assim, é de extrema importância que você esteja consciente dessa responsabilidade e desenvolva o pensamento crítico. Na dúvida entre o certo e o incerto, não compartilhe informações sobre as quais não tenha certeza.

Aprenda a duvidar de tudo. Escolha bem as suas fontes de informação.

Converse com as pessoas ao seu redor e estimule-as a tomar essa consciência. Ensine a importância do pensamento crítico, explique a necessidade do julgamento das informações encontradas e ajude a sociedade a erradicar esse mal que a afeta.

“Se tá na internet, deve ser verdade” é o mantra da ignorância e você, como uma pessoa consciente e bem informada, deve combatê-lo com unhas e dentes.

Agora que você sabe o que é um nativo digital e conhece o grande problema do analfabetismo digital, descubra o que é a independência intelectual e seja livre de verdade na Era da Informação!

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