Palácio da Memória: tudo sobre a famosa técnica de Sherlock Holmes

Dentre as principais habilidades que todo estudante deve ter, uma boa memória está entre as primeiras da lista.

De todas as informações que coletamos ao estudar, as que ficam "grudadas" na nossa memória são as mais úteis, pois são delas que poderemos fazer uso.

Por isso é importante buscar formas de aumentar a nossa capacidade de memorização, valendo-se de ferramentas e técnicas, como o Palácio da Memória.

O Palácio da Memória ficou muito conhecido como o método de memorização usado pelo famoso detetive de Conan Doyle, Sherlock Holmes.

A técnica recebe ainda outro nome: Método de Loci (plural de lugar, em latim).

É uma das mais famosas e antigas estratégias mnemônicas que se tem notícias.

Quando bem utilizada, ela pode melhorar muito sua capacidade de memorização e ajudar a acessar conteúdos retidos na sua mente.

Parece mágica, não é?

Mas é ciência!

Se quiser saber como funciona essa técnica, continue lendo esse artigo que eu vou explicar tudo sobre o Palácio da Memória e como você pode utilizá-lo para aprender mais!

O que é o Palácio da Memória

Também conhecida como “Palácio da Mente” ou “Método de Loci”, o Palácio da Memória é uma técnica mnemônica.

Mas o que é uma técnica mnemônica?

É um conjunto de técnicas utilizadas para auxiliar o processo de memorização.

Baseia-se na elaboração de “reforços de memória” como os esquemas, gráficos, símbolos, palavras ou frases relacionadas com o assunto que se pretende memorizar.

Recorrer a esses reforços ajuda a ter uma rápida associação e permite uma melhor assimilação do conteúdo.

Isso porque a memória humana armazena informações com mais facilidade quando estão associadas a sequências organizadas e simples que vão ajudar a gravar os dados.

Não há uma regra para a criação de mnemônicos. Eles podem ser criados livremente, desde que façam sentido para quem precisa memorizá-los. Afinal, caso seja uma sequência complicada, o resultado não será eficaz.

Alguns exemplos de mnemônicos:

  • Fórmula de Física: “Vou voar mais alto” para V = V0 + at, a função horária do Movimento Retilíneo Uniformemente Variável.
  • Nomes dos planetas : "Meu Velho Tio Me Jurou Ser Um Netuniano" para Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno.

No caso do Palácio da Memória do Sherlock Holmes, utiliza-se uma série de relações espaciais já conhecidas para associar os espaços ou lugares com as informações a serem gravadas.

Parece difícil, mas calma! Na prática é simples e funciona como criar um curta-metragem na sua cabeça.

Sherlock Holmes em seu Palácio da Memória (Cena da série de TV de Steven Moffat e Mark Gatiss com Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes).
Sherlock em seu Palácio da Memória.

Se baseia em fazer com que o cérebro seja capaz de correlacionar dados importantes com locais imaginários específicos.

Essa correlação entre dados e locais permite à pessoa “resgatar” esses dados rapidamente para seu uso, sempre que necessário.

Essa técnica pode ser utilizada para diversas finalidades. É uma ferramenta adotada por muitas pessoas no exercício dos seus trabalhos ou para os estudos.

Como surgiu o Método de Loci

O Método de Loci tem suas origens na antiguidade.

Ele já tem milhares de anos, com registros desde o Império Romano e a Grécia Antiga.

Atribui-se o desenvolvimento dessa estratégia ao poeta lírico Simônides de Ceos, que utilizou a técnica mnemônica mesmo antes desta ter um método ou um nome.

Diz a história que o poeta foi convidado a fazer um recital poético na Tessália.

Em algum momento do evento ele se retirou do local do evento e poucos minutos depois o palácio onde estavam todos desabou.

A violência da queda foi tão grande que muitos convidados do evento ficaram irreconhecíveis, mas Simônides de Ceos disse aos médicos que seria capaz de dizer quem eram as pessoas por se lembrar onde cada uma estava sentada.

Mais tarde, essa estratégia eficaz recebeu o nome ideal: o Método de Loci (loci, em latim, é o plural de "lugar").

Como usar o Palácio da Memória

O Palácio da Memória é uma técnica que muitas pessoas usam por instinto, de maneira inconsciente.

Agora, compreendê-la e conseguir usá-la conscientemente permitirá que você explore todo o potencial que ela possui. Por isso, preste atenção nesse artigo!

Você já fez uma prova e no meio dela se deparou com uma questão cuja resposta você tinha certeza já ter lido em algum lugar, mas não conseguiu lembrar?

E aí você começa a tentar visualizar mentalmente as páginas, as letras e as formas na esperança de conseguir lembrar o conteúdo.

Ainda, você já ouviu falar que usar cores para fazer anotações sobre a matéria pode ajudar a lembrar o conteúdo no meio da prova?

Tudo isso é uma forma rudimentar do Palácio da Memória.

Você quer saber como memorizar tudo o que lê? O Palácio da Memória pode ser usado a seu favor!

A memória espacial é um grande ativador do hipocampo, estrutura relacionada à geração e recuperação da memória e que, por sua vez, está ligada ao nosso universo emocional. Interessante, não?

Entenda: nós somos seres emocionais e nosso cérebro usa associações para criar memórias significativas.

Portanto, temos que criar o nosso próprio Palácio Mental, onde podemos colocar datas e dados, notas mentais, as quais estão ligadas ao nosso universo emocional.

Todavia, para usá-la com sabedoria e eficiência, é importante que você entenda exatamente como essa técnica funciona em sua essência.

Só quem tem a compreensão do mecanismo de funcionamento do Método de Loci consegue usá-lo corretamente e aproveitar as vantagens que ele pode trazer para sua memória e seu conhecimento.

Ele é mais efetivo quando a pessoa consegue facilmente adicionar novas informações para lembrar depois dentro do palácio. Enquanto consegue, também rapidamente, evocar as informações guardadas no Palácio da Memória sempre que for necessário.

Agora que você entendeu porque o método funciona, vamos explicar como usar o Palácio da Memória na sua rotina.

Como devo aplicar o Palácio da Memória no meu dia a dia?

Grandes personagens do mundo da literatura, principalmente na esfera investigativa ou criminal, usam esse método de memorização.

Eles usam essa estratégia mnemônica de uma forma super efetiva (sabemos que é ficção, mas por que não aprender com ela?)

Nós o vemos, por exemplo, em Sherlock Holmes, e nós também o vimos sendo usado por Hannibal Lecter de Thomas Harris.

Se você assistiu a série de 2013, vai se lembrar de ter visto o grandioso Palácio da Memória de Hannibal, que é inspirado na Cappella Palatina, em Palermo na Itália.

Cappella Palatina, inspiração para o palácio da memória de Hannibal
Cappella Palatina, inspiração para o Palácio da Memória de Hannibal na série.

Para Hannibal, a Cappella era um local que ele conhecia muito bem e pelo qual tinha muito apreço.

Do mesmo modo, você também deve usar um local que conheça bem e no qual se sinta confortável, ou não será tão efetivo.

O funcionamento e criação de um Palácio da Memória efetivo é baseado em algumas etapas práticas.

A primeira delas é pela definição de um lugar imaginário para armazenar informações, que pode ser baseado num ambiente real ou totalmente fictício (recomenda-se que seja um local real e familiar).

É nesse ambiente em que as informações que se deseja memorizar serão colocadas.

Junto a isso, é necessário ainda fazer associações entre os locais, símbolos específicos presentes no ambiente e as informações armazenadas.

A ideia é criar uma “rota” para que a mente consiga buscar aquilo que está precisando lembrar.

Como você deve ter notado, o Palácio da Memória possui várias aplicações práticas.

Uma delas é justamente melhorar o rendimento nos estudos e resultados em situações que exigem boa evocação de memórias e informações.

Se você vai fazer um concurso, uma prova ou está estudando algo muito complexo e extenso, essa técnica mnemônica pode ser de grande ajuda.

Você pode criar um ou mais Palácios da Memória para seus estudos. Um para cada matéria presente no edital do concurso, por exemplo, ou construir apenas um palácio com ambientes para cada matéria e assunto que você for estudar.

Quando bem aplicada, a técnica mnemônica do Método de Loci é capaz de melhorar muito o desempenho nos seus estudos.

Ainda não entendeu por que usar o Palácio da Memória? Deixa eu te explicar.

A criação e uso correto do Palácio da Memória traz vários benefícios e vantagens para estudantes, como:

  • Permite armazenar e puxar informações na memória com rapidez e alta eficiência.
  • Pode ser integrado com outras ferramentas e técnicas de estudos, como por exemplo outros tipos de mnemônicos, flashcards e mapas mentais.
  • É prático para situações onde é preciso recordar informações de forma estruturada, como em provas.
  • Simples de ser empregado e não requer ferramentas externas. Apenas o uso da imaginação, visualização, vontade e capacidade de fazer associações.

É um método simples mas muito vantajoso.

Ficou curioso sobre como fazer o Palácio da Memória? Vamos lá!

Como fazer o Palácio da Memória

Antes de explicar como fazer o seu Palácio da Memória, preciso te advertir:

Muito provavelmente, seus primeiros palácios serão meio “tortos”, você verá a falta de “acabamento”.  É normal, pois trata-se de uma nova habilidade e como tal requer prática.

Se continuar a construí-los, em algum momento eles passarão a ser tão bonitos quanto verdadeiros palácios.

Com tudo isso em mente, vamos começar.

1. Escolha um lugar bem conhecido

O primeiro passo é definir onde será o seu palácio. Deve ser uma estrutura física, edificada, com cômodos, detalhes e cantos.

Uma dica importante é começar pela sua casa, sua escola ou seu trabalho. Locais nos quais você passa grande parte do seu dia e conhece bem.

Agora monte uma ordem de cômodos, imagine-se na entrada e prestes a andar pelos ambientes enumerados, em ordem.

2. Memorize o seu palácio

Escolha um lugar para começar. Deve ser uma extremidade, um ponto que seja óbvio.

A porta da frente da casa, o portão de entrada da escola ou o elevador do prédio do trabalho são bons exemplos.

Percorra mentalmente o palácio duas a três vezes, sempre na mesma ordem, até você memorizar todo o trajeto.

Cada lugar que você marcar no caminho é chamado de “estação” do palácio. Você pode enumerá-los, por exemplo, o tapete de entrada da casa é a estação 1.

3. Escolha as palavras ou conceitos que você precisa memorizar

O número de palavras ou conceitos deve ser menor ou igual ao número de estações do seu palácio.

Se você quer memorizar o conceito de Evaporação, por exemplo:

“Evaporação é um fenômeno no qual átomos ou moléculas no estado líquido ganham energia suficiente para passar ao estado gasoso.”

Separe o conceito por palavras e imagine os números enquanto anda por seu palácio.

4. Associe os conceitos às estações do palácio

Agora é hora de você associar cada conceito a uma estação.

O segredo para você conseguir fazer boas associações é ter uma imagem bem nítida para cada conceito.

Mesmo que seja um conceito abstrato, crie uma imagem concreta para representá-lo.

Por exemplo, a palavra “evaporação” pode ser representada por uma imagem sua que ao abrir a porta, se depara com uma sauna na sua sala.

Sauna a vapor
Exemplo de sauna a vapor.

Para “fenômeno” você pode imaginar o Ronaldo Fenômeno chutando uma bola de futebol para você.

Essa bola pode representar o núcleo de um átomo e a bola pode ser magnética e atrair o abajur de metal da mesa de apoio ao lado do sofá e assim formar uma molécula.

Você chuta a bola que entra no banheiro da casa, acerta a torneira e jorra água por tudo para lembrar que estão no estado “líquido”.

Você aperta o interruptor do corredor e leva um choque para lembrar de “energia”.

Vai para a cozinha e encontra o ferro de passar roupas ligado em cima do botijão de gás para lembrar de “passar” e “gasoso”.

Enfim, deu pra entender a ideia, não é mesmo? Esse foi só um exemplo curto para te explicar como funciona o roteiro que você deve seguir.

O importante é ter a imagem clara do seu palácio, enumerar as ações ou conceitos que você quer lembrar e deixar a sua imaginação assumir o comando da história.

Quer uma dica extra?

Adicione humor, ação ou exagero nas imagens, pois assim elas ficam ainda mais fáceis de memorizar. Quanto mais bobo, surreal ou engraçado for seu “filme”, mais sua mente vai conseguir lembrá-lo.

5. Revise mentalmente o trajeto com as imagens associadas

Repasse sua história algumas vezes, até que o trajeto esteja totalmente memorizado.

Faça isso durante alguns dias seguidos e repasse novamente uma semana depois, 15 dias depois e assim por diante, até você não conseguir mais esquecer.

Achou muito difícil? Vamos construir um mais fácil então. Uma simples lista de compras.

Assim você verá como fazer o Palácio da Memória para ajudar no dia a dia, o que aumentará sua vontade de criá-los.

  • Vamos começar novamente pela porta da casa, a entrada do nosso palácio.
  • Agora vamos enumerar 5 locais do nosso palácio que serão ligados aos 5 itens da nossa lista de compras. Pode ser: 1) capacho, 2) interruptor, 3) sofá, 4) TV e 5) a janela.
  • Feito isso, vamos escolher os itens que devem ser comprados no mercado: ovos, bananas, papel higiênico, arroz e detergente de louças.
  • Espalhe os itens pelo ambiente de forma incomum, assim é mais fácil que seu cérebro lembre deles futuramente.
  • Monte seu filme: você entra pela porta e não consegue pisar no capacho pois ele está coberto de cascas de ovos, você coloca a mão no interruptor para ligar a luz e ele está todo melecado com detergente de louças, imagine até o cheiro! Você pula o capacho e cai sentado no sofá pois pisou em uma casca de banana e escorregou. Olha para a TV e ela está coberta de cocô de passarinho (papel higiênico), você olha para a janela para tentar descobrir como os passarinhos entraram e vê tudo coberto de neve branca (para tentar relacionar com o arroz).

Viu só? Não é tão complicado se você começar devagar.

Use as associações que fizerem mais sentido para você, não tenha medo de parecer algo ridículo, afinal ninguém além de você mesmo irá assistir.

Não tenha preguiça de montar sua historinha, lembre-se que seu cérebro é preguiçoso e você precisa desafiá-lo todos os dias se quiser melhorar.

Aprendeu como fazer o Palácio da Memória? Se tiver alguma dúvida, pode comentar nesse artigo ou mandar um e-mail para nós, vamos adorar responder!

Lembrando que você também pode usar outros tipos de mnemônicos para ajudar com seu Palácio da Memória.

Quer aprender como fazer um mnemônico? Então vamos ajudar você!

Como fazer um mnemônico?

Você deve estar curioso sobre outras formas de criar mnemônicos, então vamos mostrar três exemplos simples para você entender como funciona e começar a criar os seus.

Acrônimo: é uma técnica bem conhecida e prática. São nada mais do que abreviações de nomes de organizações.

A ideia é formar uma palavra pela junção das primeiras letras ou sílabas iniciais de um grupo de palavras ou uma expressão.

Exemplo: a ANATEL é a Agência Nacional de Telecomunicações.

BB é o Banco do Brasil.

PEC é Proposta de Emenda Constitucional.

E assim por diante.

Acróstico: é uma frase ou palavra formada por palavras cuja primeira letra é a dica do que precisa ser lembrado.

Você pega a palavra que precisa ser lembrada e coloca na vertical.

É uma técnica muito utilizada por professores nas escolas. Ela é interessante em ocasiões em que você precisa lembrar de vários nomes ou termos correlatos.

Exemplo: as etapas do balanceamento químico são reduzidas a palavra MACHO (quem viu essa aqui nas aulas de química?)

M etais

A metais

C arbonos

H idrogênios

O xigênios

Música: mais especificamente as paródias, são ótimas para aprender e memorizar conteúdos.

As canções ajudam muito na memorização!

Eu usei durante o Ensino Médio uma música (paródia de um funk famoso) que explicava a fotossíntese inteira, todas as etapas com os nomes certos.

Ela me ajudou muito durante as provas, eu ficava cantando mentalmente quando precisava lembrar algum detalhe.

Se quiser ouvir essa música e conhecer a letra dela, clique aqui.

Você pode encontrar vários exemplos de paródias no YouTube. Divirta-se!

Agora que você já sabe como fazer um mnemônico e sabe que pode aplicar várias técnicas ao mesmo tempo, chegou na hora de treinar!

Se você acha que sua memória não vai aguentar tanta informação, vamos explicar um pouco mais sobre a fabulosa memória fotográfica e como você pode treinar para ter boa memória, assim como Sherlock Holmes.

Como funciona a memória fotográfica

A Memória Eidética, conhecida popularmente como Memória Fotográfica, é a capacidade de lembrar facilmente de coisas, fatos, cenas que você viu em um nível quase perfeito de detalhismo.

É como se fosse uma fotografia na sua mente.

A palavra “eidética” vem do grego “eidos” que significa "visto".

Na ficção, temos muitos exemplos de personagens com memória “fotográfica”, como Sherlock Holmes e Hannibal Lecter que já foram citados. Mas também personagens mais atuais, como Sheldon Cooper da série The Big Bang Theory.

Cena da série The Big Bang Theory. Leonard: "O Sheldon tem um tipo de memória fotográfica". Sheldon: "'Fotográfica' é um termo incorreto. O certo é memória eidética, como eu já disse muitas vezes. A ultima  vez durante um almoço ano passado, em 7 de maio".te
Cena da série The Big Bang Theory

Porém, fora da ficção, neurocientistas dizem ser impossível possuir a memória fotográfica perfeita. Ninguém é capaz de lembrar absolutamente TUDO.

Pela visão da neurociência, não é possível recorrermos exatamente às imagens já vistas e nos lembrarmos delas nos mínimos detalhes apenas buscando a capacidade da memória que o nosso cérebro tem.

Não é como tirar uma foto com nosso celular, infelizmente.

Mas o cérebro é capaz de coordenar diversos tipos de memórias e a capacidade de nos lembrarmos de rostos, paisagens e imagens de um modo geral é tarefa da nossa memória visual, que todos temos e podemos aprimorar.

Por uma combinação de fatores, como a genética e a prática frequente, algumas pessoas conseguem desenvolver uma memória acima da média.

Hoje a ciência reconhece que existem memórias excepcionais, mas ainda não foi provado que a memória fotográfica perfeita realmente exista.

Em 2000, Jill Price contatou cientistas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, para descrever a notável — e incomum — memória com a qual ela aparentemente tinha nascido.

A maioria acha que é um dom, mas eu chamo isto de um fardo”, desabafou. “Eu vejo toda a minha vida na minha cabeça todos os dias e isso me deixa louca!”.

Em um primeiro momento, os pesquisadores estavam céticos, mas, depois de mais de cinco anos de testes, eles gradualmente se convenceram de que a mulher que chama a si mesma de “calendário humano” era real.

Eles descreveram sua memória no artigo publicado em 2006 na revista Neurocase como “incontrolável e automática”. Porém, a habilidade também era limitada.

Jill de fato parecia ter algo muito próximo da memória perfeita, chegando a deixar os pesquisadores deslumbrados discorrendo uma lista completa de seus últimos 20 anos de Páscoas em 10 minutos.

Mas essas lembranças eram totalmente focadas em si mesma e nos momentos do dia a dia que tinham feito parte da sua vida.

Em contraste com outros que diziam ter memórias superiores, ela não tentava desenvolver sua memória. Na verdade, parecia achar a habilidade bastante desagradável.

É como um filme que nunca para. É como uma tela dividida”, descreveu a estadunidense.
Eu converso com alguém e vejo outra coisa. Estamos aqui sentados conversando, eu estou falando com você e, na minha cabeça, estou pensando em algo que me aconteceu em dezembro de 1982, 17 dezembro de 1982, era uma sexta-feira, comecei a trabalhar na Gs [uma loja]. É uma questão de datas. Eu só sei essas coisas sobre datas”.

Na maioria dos testes de memória — por exemplo, memorizar uma longa sequência de dígitos ou guardar informações lidas em um livro — ela não se saiu melhor que a média da população.

Também observou que suas habilidades de memória não foram de grande ajuda para ela na escola, nem mesmo na matéria de História.

Seu conhecimento de datas é limitado apenas aos dias que ela mesma experimentou e, mesmo assim, não é infalível.

Os pesquisadores apontam que Jill, algumas vezes, não se lembrou corretamente de uma data ou de uma história contada previamente.

Definir a condição dela como memória fotográfica, portanto, não parece muito correto.

Ao invés disso, pesquisadores criaram o termo “síndrome hipertimésica” para descrever Jill — que foi a primeira pessoa a receber esse diagnóstico — e algumas outras pessoas cujas memórias excepcionais parecem ser puramente confinadas às suas próprias experiências.

Bons memorizadores não são mais inteligentes, nem têm cérebros mais desenvolvidos.

Isso é confirmado por uma pesquisa feita por investigadores da University College, de Londres.

A equipe de Eleanor Maguire, da University College London do Reino Unido, escaneou os cérebros de dez finalistas do Campeonato Mundial de Memória.

Ela queria identificar se eles tinham diferenças estruturais cerebrais que resultariam em uma predisposição para memórias extraordinárias.

Os testes não mostraram diferenças de intelecto ou alterações estruturais — a única diferença pareceu ser o uso de três áreas envolvidas na navegação.

Os donos de supermemórias eram melhores puramente porque caminhavam em seus "Palácios Mentais".

Outra conclusão é a de que não existem diferenças anatômicas entre cérebros. Não há nada de especial nos cérebros dessas pessoas que faz com que elas se lembrem das coisas mais do que nós.

Mas havia uma coisa que diferenciava os dois grupos: durante os testes de memorização, os campeões da memória usavam uma parte do cérebro diferente daquelas usadas pelas pessoas do grupo de controle (pessoas com memória mediana).

Eles usavam uma região cerebral associada à memória espacial.

Essa é a chave para descobrirmos como é possível desenvolver uma memória mais apurada.

É possível aprimorar nossa memória?

Mesmo que você não nasça com uma Memória Eidética, com um pouco de treino e bastante dedicação é possível desenvolver uma boa memória.

Ela pode ser desenvolvida através de treinamento e atividades que ativem seu cérebro.

Como você que leu até aqui já sabe, só é possível encontrar pessoas com memória fotográfica na ficção. Todavia, é possível melhorar sua memória visual para chegar razoavelmente perto disso.

Você não vai se tornar Sherlock Holmes, mas pode tornar sua memória extraordinária!

Existem tipos diferentes de memória.

A capacidade de nos lembrarmos de rostos, paisagens e imagens é ligada a nossa memória visual, que é o foco do Palácio da Memória.

Símbolos, números, nomes e conceitos estão associados a outros tipos de memória, por isso sempre ligamos essas coisas com imagens.

Você já ouviu falar em Joshua Foer?

Ele possui uma das memórias mais brilhantes do mundo. É capaz de se recordar da ordem exata das cartas de um baralho completo depois de observá-las por apenas 1 minuto e 40 segundos.

Foer é jornalista e cobriu o Campeonato de Memória dos Estados Unidos em 2006. Se interessou tanto pelo assunto que começou a treinar sua própria mente e no ano seguinte tornou-se recordista norte-americano em memorização de cartas.

O mais impressionante é que ele escreveu um livro sobre isso chamado A Arte e a Ciência de Memorizar Tudo (Moonwalking with Einstein) e influenciou Alex Mullen, atualmente o dono da melhor memória do mundo.

Os dois não possuíam a melhor memória de todas, mas começaram a treinar e conseguiram superar recordes.

Então sim, é possível melhorar sua mente com treino, mas não é possível ter memória fotográfica como na ficção.

Como ter uma boa memória

Você quer ter uma boa memória? Ou até mesmo ter uma boa memória fotográfica (dentro do possível)?

Tudo é questão de treino e existem várias formas para isso.

O primeiro passo é entender que nossa memória está muito ligada aos nossos sentimentos e emoções.

Então é sempre bom começar a procurar conexões e significados nas coisas que você quer lembrar.

Joshua Foer diz que aprendemos a ter boa memória e uma técnica básica muito eficiente é o Palácio da Memória.

No entanto, existem vários outros métodos. Alguns deles você encontra facilmente durante uma pesquisa pelo Google, outros métodos ainda estão sendo estudados.

Uma dica importante é comer e dormir bem. Ter vida social ativa também ajuda a sua memória.

Jogos de raciocínio lógico e o jogo da memória podem ser utilizados para treinar seu foco e sua capacidade de memorização.

Vale a pena procurar outros meios de treinar sua memória. Você só tem a ganhar com isso!

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